Contruindo uma História Filogenética (HOMOLOGIA)

    Quando Darwin e Wallace propõem juntos através de um artigo suas teorias sobre a evolução biológica, questionam o pensamento da época que defendia a imutabilidade dos organismo (criacionismo) e passam a aceitar através do estudo de organismos vivos (como pombos, pássaros, besouros, dentre outros) ou mesmo dos estudos dos fosseis, que os organismos são mutáveis, ou seja se modificam ao longo do tempo e do meio ambiente, de modo que as espécimes como as conhecemos hoje são descendentes de possíveis ancestrais que existiram a milhões ou bilhões de anos atrás.
    A essa história evolutiva e suas relações de parentesco que se ocupa a filogenia. Devido a perda através de fossilização dos organismo ou mesmo da fixação de uma modificação em um população é impossível reconstruir uma história evolutiva completa e fiel de uma determinado organismo atual. Porém apesar das brechas nos registros fosseis ainda assim é possível conhecer as relações de parentescos e histórico evolutivo de um táxon. O conhecimento desses relacionamento e histórico evolutivo permite-nos agrupar os organismos seguindo o principio do método filogenético que busca relacionamentos monofiléticos. Classificações monofiléticas retratariam relações evolutivas entre organismos que compartilham um ancestral único, comum e exclusivo deles.
    Quando classificações não apresentam-se como monofiléticas, taxonomistas tendem a reagrupa-las, buscando relacionamentos monofiléticos se possível de fácil reconhecimento quanto a morfologia e estabilidade da classificação.
    A análise de homologias e dos surgimento de novidades evolutivas são os primeiros passos para a reconstrução de uma história evolutiva, é através da comparação de estruturas entre os organismos conhecidos (vivos ou fosses) que poderemos reescrever os padrões de relacionamento. Estruturas homólogas seriam assim presentes em organismos diferentes que tiveram a mesma origem da estrutura de um ancestral comum a ambas. Para isso estruturas homologas podem apresentar mesma função (braço direito de dois homens) ou funções diferentes (bico de um papagaio e o bico de um beija-flor).
    Para inferir homologias três métodos podem ser aplicados: 1- comparação entre estruturas parecidas, 2- comparação entre estruturas que tenham a mesma posição ou 3- comparação de estruturas que tenham a mesma origem embrionária. Encontrar estruturas homologas é um importante passo da reconstrução de uma história evolutiva pois transmite confiabilidade na comparação de estruturas em organismos distintos, evitando- se desse modo comparar órgão que evoluíram por convergência adaptativa, não expressando assim as reais relações de parentesco entre os organismos comparados.            

     Por: José Florencio Cerqueira Oliveira

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